AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Apresentação do F-16 gera ufanismo na Argentina

Foto: Fuerza Aérea Argentina

Uma nova era, um retorno às capacidades perdidas, um passo significativo para o Século XXI, recebimento dos “um dos melhores aviões de combate do mundo”, alinhamento aos padrões da OTAN e até uma medida “transcendental”. Os meios de comunicação da Argentina e as páginas oficiais do governo do país vizinho entraram em clima de ufanismo com a apresentação do primeiro caça F-16BM do país, ocorrida nesta segunda-feira, na Base Aérea de Tandil. De fato, trata-se do início do processo de modernização esperado desde que a Fuerza Aérea Argentina aposentou seus últimos jatos supersônicos, em 2015, ainda que seja um modelo inferior aos Sukhoi Flanker da Venezuela, F-39 Gripen do Brasil, F-16C/D do Chile e aos Typhoon britânicos estacionados nas Malvinas.

O avião argentino apresentado em uma cerimônia restrita a autoridades e parte da imprensa, na realidade, sequer tem condições de voo. Trata-se de um F-16BM que será utilizado para treinamento de mecânicos e de pessoal de apoio em solo. Os demais 16 F-16AM e oito F-16BM chegarão até 2028, sendo que para 2025 está previsto o recebimento de dois F-16A e quatro F-16B. As aeronaves, originalmente do Block 15, serão equipadas com radares modernizados APG-66(V)3 e mísseis AIM-120 C-8 AMRAAM, o que finalmente dará à Argentina a capacidade de atuação na arena de combate aéreo além do alcance visual (BVR).

Assinatura do contrato de aquisição de caças F-16 para a Argentina. Foto: Instagram do ministro Luis Petri

Assinado pelas autoridades da Argentina em abril de 2024, o contrato de compra de 24 caças F-16AM/BM de segunda mão da Dinamarca se destacou pelo baixo custo: US$ 301 milhões. É menos de um terço do pacote de armamentos e equipamentos, além do fornecimento de suporte inicial para a operação das aeronaves, autorizado pelos Estados Unidos, tendo sido avaliado em US$ 941 milhões.

O pacote autorizado inclui 36 mísseis AIM-120C Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile (AMRAAM), 102 bombas MK-82 de 227 kg e 50 kits para bombas laser GBU-12 Paveway II. Também poderão ser vendidos diversos equipamentos de apoio, como rádios, dispositivos de criptografia, chaff e flares, equipamentos de comunicação e até serviços de reabastecimento aéreo e transporte para as aeronaves.

Hoje, a Argentina não conta com aeronaves reabastecedoras compatíveis com os F-16, pois seus KC-130 Hercules utilizam o sistema probe and drogue, enquanto os F-16 são reabastecidos pelo padrão Flying Boom. Por este motivo, estão em negociações processos para aquisição de jatos KC-135 Stratotanker, além da contratação de empresas que prestam o serviço de reabastecimento em voo.

Política e Malvinas

Em seu discurso, o Ministro da Defesa da Argentina, Luis Petri, fez fortes críticas aos governos anteriores. Segundo ele, não havia qualquer compromisso para a modernização das Forças Armadas, algo que teria se tornado possível apenas por meio do esforço do presidente Javier Milei. Porém, as negociações para a compra dos F-16 dinamarqueses foi iniciada no governo anterior, com a autorização do governo dos EUA para a venda das aeronaves tendo ocorrido cerca de dois meses antes da posse de Milei.

Para conceder a autorização de venda, a Casa Branca considerou de interesse norte-americano permitir o reequipamento da Argentina com material militar de origem norte-americana. A principal consequência foi o fim da possibilidade de a Argentina receber aeronaves com os caças sino-paquistaneses JF-17 Thunder. A venda também não foi encarada como uma mudança no balanço de forças na América do Sul.

Comitiva da Argentina em visita a caças JF-17 no Paquistão

A cerimônia de apresentação do F-16 contou ainda com homenagens aos mortos na Guerra das Malvinas, com o Ministro da Defesa citando nomes dos pilotos falecidos em combate. A fala veio logo após amplo discurso sobre a defesa da soberania, o poder de dissuasão e a Argentina ter o seu papel na diplomacia internacional.

Britânicos alegam tranquilidade

Em 2024, o Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou não encarar os caças F-16AM/BM da Argentina como motivo de preocupação para manter a soberania britânica das ilhas Malvinas, batizadas de Falklands pelos súditos do Rei Charles III.

Após a guerra de 1982, o principal investimento britânico na área foi a construção da Base Aérea de Mount Pleasant, operacional desde 1985. Em geral, o contingente estacionado ali inclui quatro caças Eurofighter Typhoon FGR4, um reabastecedor Voyager KC2 e um A400M Atlas, além de helicópteros para missões utilitárias e de busca e salvamento. Também há uma companhia de infantaria do Exército e, quase sempre, pelo menos um navio de patrulha da Royal Navy.

FRETE GRÁTIS PARA COMPRAS A PARTIR DE R$ 100,00 APROVEITE É POR TEMPO LIMITADO

NOVA EDIÇÃO DA ASAS

Carrinho